Drogas em Mato Grosso

O Crack já tomou conta de Mato Grosso

Mato Grosso não está de fora das estatísticas da incidência do crack. A droga, de baixo custo e efeito rápido, se alastrou rapidamente por todo o Brasil. Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) e divulgada nesta semana revela que a droga está presente em todo o país. A incidência da droga em Mato Grosso é de aproximadamente 75%. No Estado, 106 municípios foram pesquisados pelo estudo e apenas 46 possuem ações de enfrentamento às drogas. Para o delegado Gustavo Garcia, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o número é bem maior que o revelado. Ele aponta que o Estado não é diferente dos demais centros. "O crack já chegou em todas as cidades de Mato Grosso", disse, em entrevista ao MidiaNews. O delegado explicou que o tráfico do crack é diferente das demais drogas. A comercialização do letal entorpecente é feiao por pequenos traficantes, os chamados "formiguinhas". "O crack é um subproduto da cocaína, adicionado com vários produtos, que o torna mais letal. Geralmente, essa droga é preparada dentro das bocas-de-fumo e vendidas por pequenos traficantes, também viciados na droga", disse Garcia. O baixo preço - uma pedra de crack é vendida por cerca de R$ 5 - pode ser uma das causas de recusa dos grandes barrões do tráfico em comercializar a droga. O delegado Garcia revelou que, mesmo sem grandes apreensões de crack, o entorpecente é encontrado nos quatro cantos do Estado, sendo que a maior infestação é na Baixada Cuiabana (Capital e Várzea Grande, principalmente). "O crack existe em todo o Estado, mas, até pela concentração populacional, Cuiabá e Várzea Grande são as maiores prejudicados. Prova disso são as cracolândias que estão sempre lotadas de pessoas que se transformaram em verdadeiros zumbis, devido ao uso contínuo e desenfreado do crack, e também pasta-base. É importante frisar que essa droga alcançou todos os estágios sociais: pobres, ricos, esclarecidos ou não são reféns dessa droga", afirmou o policial. Mesmo com a grande incidência do crack na sociedade, o delegado revelou que a maconha continua sendo a droga preferida no Estado. Segundo ele, existe uma peculiaridade no uso dos entorpecentes. Em cidades mais próximas da Bolívia, as pessoas usam mais cocaína; já nas cidades próximas ao Paraguai, o maior consumo é de maconha. A revelação do delegado mostra que, no tráfico de drogas, assim como em qualquer comércio, a oferta faz o cliente. Sabe-se que maior parte da cocaína que entra no Brasil advém da Bolívia, assim como a maconha do Paraguai. Gustavo Garcia observou que, mesmo Mato Grosso estando próximo dos grandes corredores de passagem dos entorpecentes, é sabido que a preferência da Baixada Cuiabana é pela maconha, droga mais disseminada mundialmente. "O nosso trabalho mostra que a maconha é droga mais consumida pelas pessoas em Mato Grosso, principalmente em Cuiabá. Ainda assim, com a grande venda de maconha, a cocaína e seus derivados (pasta-base, crack, óxi) atraem muitas pessoas, que se viciam rapidamente e o resultado é devastador", disse. Sobre a resposta que o Poder Público deve dar à sociedade para combater o crack, o delegado foi categórico e dividiu responsabilidades com demais secretarias e com o próprio dependente. "Existe o trabalho de combate ao tráfico, fazemos apreensões. A doença do crack não é somente trabalho de Polícia, é de Saúde Pública. É necessário apoio de demais órgãos para se fazer um trabalho que realmente resolva, não é só tirar o usuário da rua. Essas pessoas, que se viciam em crack, ficam doentes, precisam ser internadas e ter um trabalho psicologólico. E tem mais: se o próprio dependente não se tocar que necessita de tratamento, não vai dar certo. Eles largam, fogem, abandonam tudo", completou Garcia. Dados preliminares de uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, encomendada pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), mostra que o típico usuário de crack é pobre, tem baixa escolaridade e possui entre 20 e 40 anos de idade. Ele gasta todo o dinheiro que tem para consumir a droga, não tem acesso a tratamento e não costuma abandonar o vício por problemas de saúde. Descobriu-se, também, que o comportamento de cada um deles pode variar de acordo com a região. Os dependentes químicos do Rio de Janeiro moram na rua, não trabalham e consomem o crack em um copo de plástico. Já os usuários de crack de Salvador moram em uma casa, trabalham. Mato Grosso não possui pesquisas nesse sentido. O relatório da Confederação Nacional dos Municípios mostra que 63,7% dos municípios enfrentam problemas na área da Saúde devido à circulação da droga. A fragilidade da rede de atenção básica aos usuários, a falta de leitos para a internação, o espaço físico inadequado, a carência na disponibilidade de remédios e a ausência de profissionais especializados na área da dependência química são os principais entraves apontados pelos gestores municipais. Em relação à Segurança pública, os principais problemas estão relacionados ao aumento de furtos, roubos, violência, assassinatos e vandalismo. Existem ainda apontamentos em relação à falta de policiamento nas áreas que apresentam maior vulnerabilidade.